Gratidão

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© Flávia Silva. Todos os direitos reservados.

Pai. Não existem palavras para expressar o amor e gratidão que tenho por você.

Não é porque essa semana foi o dia dos pais que eu faço essa homenagem. Você sabe que não nos importamos com datas comerciais e vazias. Mas diante de acontecimentos pessoais que você tem pleno conhecimento quero expressar aqui o quão importante você é para mim.

Você coloca o padrão de pai, homem, amigo e marido muito alto. Quem conhece sabe. Você vai muito alem do necessário e faz muito mais.

Me sinto privilegiada em ser sua filha e sua amiga.

Sua capacidade de amor e generosidade são sobrehumanos.

Não mude nunca, pai.

Te amo muito.

O amor não acaba, nós é que mudamos

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Duas pessoas vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro.
Que fim levou aquele sentimento?
O amor realmente acaba?
O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros, no decorrer da vida.
As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e,principalmente, de necessidades.
O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros.
O amor se mantém o mesmo, apenas para aqueles que se mantém os mesmos.
Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda.Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada, sobre si mesmos, estão contentes com o que estabeleceram como verdade, numa determinada época, e seguem com esta verdade até os 120 anos.
O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade, e seguiu na mesma direção.
Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida, que não gerou conflito.
O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções.
O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades, e a gente avança porque é da natureza humana avançar.
Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice.
Paixão termina, amor não.
Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transfere para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

quando fala o coração

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Quando meu coração fala, o que ele me diz?
Diz que tenho forças para vencer qualquer obstáculo,
Diz que posso realizar meus sonhos.

 

Quando meu coração fala, o que ele me diz?
Diz que te quero, ainda te quero,
Mas diz que, apesar de desejar-te, não preciso de você.

 

Quando meu coração fala, o que ele me diz?
Diz que sou bela e passional.
Diz que sou impulsiva e que vivo o presente.

 

Quando meu coração fala, o que ele me diz?
Diz que meu caminho ainda será revelado
E que minha vida tomará um rumo inesperado.

E a separação entre Estado e Igreja, hein?? Acorda, Paris!

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Hoje vi uma matéria da Folha de São Paulo falando sobre uma manifestação contra casamento gay em Paris. E, pelo visto, a manifestação reuniu milhares de pessoas. Tudo bem que parisiense arruma desculpa para não ter que trabalhar, ainda mais com as centenas de passeatas que ocorrem DIARIAMENTE lá.

Fiz pós-graduação em Fotografia Profissional em Paris, especializada em fotojornalismo. Nunca fotografei tanto manifestações, protestos e coisas do gênero em nenhum um outro lugar tanto quanto em Paris.

Eu acredito que eles têm consciência social maior do que a nossa (brasileiros), mas acredito que certos valores enraizados que eles herdaram do cristianismo católico ainda reinam por lá. O Estado Francês pode, como deve, legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Por que não?! Porque os valores judaico-cristão ainda estão impregnados em nós.

É uma pena ver que a mentalidade atual da nossa sociedade não têm evoluído tanto quanto outras áreas. Essa forma estática de ser e pensar atrasa vidas. As pessoas deveriam ter o direito de registrar legalmente uma união.

Assim como eles foram manifestar contra o casamento entre pessoas do mesmo, estou aqui expondo minha simples opinião de que essas pessoas não evoluíram e não tem o DIREITO de escolher o destino de outras pessoas. Se na Grécia Antiga era comum o relacionamento entre homens (mulheres “serviam” mais para procriação e diversão do que para um amor romântico), o cristianismo veio para unir as massas em uma época em que era necessário se unir pela religião. Hoje em dia a Igreja não interfere no Estado, e, na teoria, um sistema democrático deveria sustentar e apoiar o direito de qualquer pessoa (sexo, raça, etc.) de se expressar da mesma foram que a maioria.

Acredito que a minha geração seja mais cabeça aberta, mas ainda sim acredito que podemos expandir mais nossa mente. Cada um tem o direito de pensar como quer, mas fazer uma manifestação que afeta a vida de outras milhares de pessoas decidindo assim como a vida delas devem ser é uma TIRANIA!

Temos que viver o nosso tempo, criar nossos conceitos e nossos valores. Valores que foram criados a 2 mil anos atrás não deveriam se aplicar a uma sociedade tão diferente daquela, em termos culturais, principalmente.

Matéria na Folha de São Paulo

Flávia

Mito e transformação – Afrodite, deusa do amor

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Deusa do Amor | Paixão
Hesíodo relata em sua Teogonia o misterioso nascimento de Afrodite, a chamada Anadiômene, aquela que surge (das ondas do mar). Após a castração de Urano por seu filho Crono, os genitais do deus-céu caem no mar, e das ondas e esperma se forma uma espuma – em grego, afros – da qual nasce a deusa do amor.
Afrodite tem, portanto, um nascimento arcaico, em um tempo mítico anteior ao nascimento do próprio Zeus e os demais deuses olímpicos, ainda no ciclo dos Titãs, sob o domínio de Crono. Psicologicamente falando, todo mito de nascimento fala da origem da consciência: se o mito é atemporal, no sentido cronológico, ele possui um tempo simbólico; a antigüidade de Afrodite diz respeito à sua importância na origem da consci~encia e seu enraizamento nas emoções mais profundas e irracionais do ser.
O seu estado nascente, surgindo das espumas do mar, inspirou Apeles, grande pintor grego do séc. IV a.C. e muito mais tarde Botticelli, em seu famoso quadro O nascimento de Vênus. A beleza incomparável de Afrodite neste estado de suspensão fala do amor que assoma à consciência e de suas possibilidades transformadoras, tão bem elaborada por Platão em seu O banquete.
Entretanto, neste estado, podemos perceber Afrodite perigosamente próxima do oceano, símbolo do insconciente coletivo descrito por Jung, o meio aquoso sem fronteiras delimitadas, sede de paixões de todo o tipo, que podem, em certas circunstãncias, assomar à consciência de forma destrutiva.
Afrodite Anadiômene está, portanto, entre o oceano e o céu. Em seu nascimento traz a idéia dos pares amorosos, o casamento do céu e da terra, dos deuses primordiais Gaia e Úrano.
No domínio da biologia celular, a reprodução não se dá por pares, mas por divisão celular, é uma esfera fora do domínio da deusa do amor. Mas Afrodite é a deusa da atração entre os pólos opostos, o céu e a terra, o corpo e o espírito, a civilização e a natureza, o homem e a mulher. Não é por acaso que os momentos preferidos da deusa são o do nascer e o pôr-do-sol, momentos do encontro amoroso do céu e da terra.
Afrodite revitaliza os opostos, favorece a atração do homem e da mulher e a união deles, sexual e espiritual, favorece a união dos opostos patológicos, consciência e inconsciente numa síntese amorosa que Jung chamou o processo de individuação.
O nascimento de Afrodite a partir da castração de Úrano, o pai-céu, e da espuma do mar revela sua conexão com o oceano do corpo, a sexualidade com seus ritmos e marés, o orvalho que umedece as uniões amorosas, e ao mesmo tempo sua ligação com o espírito celestial.
Na verdade, Afrodite pandêmia e a Afrodite urânia debatidas em O banquete de Platão formam um todo indivisível. Afrodite tem o poder de transmutar o prazer sexual em êxtase espiritual. O dom da beleza de Afrodite ultrpassa o encanto pelas formas do parceiro amoroso, é a beleza transcendental do Kallon kai Agathon (o Belo e o Bem) da elaboração filosófica de Platão.
Afrodite representa, na verdade, o poder civilizatório pelo Belo, tão cutivado pelos gregos. É difícil para uma mentalidade judaico-cristã enteder esta conceituação, pois nossa tradição reza que a gratificação sexual é uma necessidade instintiva, da contraparte animal do ser humano, e após dois mil anos de cristianismo é a tendência natural do homem da modernidade a busca da verdade a todo custo, porém dissociada da beleza.
Considero o simbolismo do cultivo dos jardins uma das imagens mais convincentes da expressão mágica de Afrodite como imagem arquetípica do poder organizador do Belo, tanto na consciência individual quanto coletiva.
As flores estão presentes, nos mitos Afrodite, com muita freqüência. A deusa aparece em algumas representações coroada com flores por Tália; entre as três graças, a responsável pela floração. Pétalas de rosa são também jogadas por Tália sob seus pés.
É importante ressaltar que Afrodite é, além da deusa do amor, a deusa das flores. A flor sintetiza de forma admirável o mistério de Afrodite; as flores são o mais belo órgão sexual do universo. São muitoas as imagens floridas representativas da beleza sexual feminina, entre elas a rosa vermelha, colorida e perfumada, mas com espinhos que podem machucar como fazem sofrer as paixões do amor.
Estar preocupado com flores e organizar jardins é uma forma de cultuar Afrodite. Os europeus, prezando muito os poucos espaços de natureza em seus espaço densamente construído, elaboram carinhosamente seus jardins, interseção entre natureza e civilização, respiradouro natural do belo em suas cidades. Afrodite reina neste espaço sagrado de conjunção entre civilização e natureza.
Entre nós vive um dos maiores gênios mundiais do paisagismo, Roberto Burle Marx – o maior, segundo a crítica européia. Por todo mundo seus jardins cumprem a função arquetípica de mediar o encontro da cidade e da natureza. Lélia Coelho Frota descreve a magnífica criatividade de um dos maiores artistas brasileiros, em pleno processo criativo aos 83 anos em seu ensaio Roberto Burle Marx, parceiro da natureza, no qual apresentou em exposição em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
Percorrendo as páginas de Lélia, percebemos a grandeza de Burle Marx, o último remanescente da geração dos grandes artistas do movimento modernista, Tarsila, Di Cavalcanti, Villa-Lobos. Os italianos souberam valorizar bem seus jardins: publicam agora um espesso livro sobre Burle Marx, O jardim do século XX. Isto é, consideram-no o mais importante do nosso século.
O casamento de Afrodite e Hefesto traz em si um paradoxo e um mistério. COmo pode a mais bela das deusas unir-se com o deus coxo? Uma interpretação literal psicológica mostra em modelo de casamento tão comum, a relação complementar, tão estagnante quanto insatisfatória do ponto de vista do desenvolvimento de cada um.
Por outro lado, a compensação é necessária porque encerra em si o constante desafio da beleza interior, o Belo-em-si, que Hefesto manifesta em seu trabalho de divino artesão, o senhor da mais bela ourivesaria. A dourada Afrodite tinha que se cercar, naturalmente, do senhor do ouro e das jóias, símbolo da perfeita beleza. O casamento é, assim, um antídoto contra a identificação do belo aparente, tão comum em nossa cultura atual. Quanto mais caímos nesta identificação, mais perdemos contato com a deusa.
Historicamente, a mulher grega foi reprimida dentro de uma estrutura de sociedade do patrismo. Além da esposa oficial, o cidadão ateniense poderia possuir a escrava no gineceu, a Palaké, ter contatos com amantes de cunho inferior, a prostituta paga, a Pórne, e ter ainda uma amante de padrão elevado, do ponto de vista social ou cultural, a Hetera (BRANDÃO, 1989). Algumas heteras se tornaram famosas, poderosas e ricas, devido a sua inteligência e beleza. Assim foi Aspásia, confidente do próprio Péricles, que tinha por ela especial afeição e carinho, demonstrando isto publicamente em diversas ocasiões.
Frine, hetera amantes do artista Praxiteles, tornou-se famosa pela sua impressionante beleza, tendo posado nua para que Praxiteles moldasse a famosa estátua de Afrodite nua do templo de Cnido. Apeles, famoso pintor, fez dela retrato equivalente a nossa Mona Lisa. Frine tornou-se tão poderosa que foi ela quem financiou a reconstrução das muralhas de tebas, depois de destruídas por Alexandre. Nestas muralhas foi inscrito: destruído por Alexandre, reconstruído por Frine, hetera.
Estas heteras são demonstração do poder de Afrodite, em seu aspecto concreto. Mas quando Frine posou para Praxiteles nua, a deusa foi retratada pela primeira vez desnuda e isto gerou uma constrovérsia no mundo grego: Afrodite ser desnuda? (PARIS, 1988: 56).
Afrodite sempre foi representada com tecidos quase transparentes, através dos quais se podia adivinhar suas belas formas. Seu corpo e sexualidade, representando a natureza, suas roupas e jóias, a cultura. Mais uma vez, um equilíbrio entre os pares de opostos.
Entre sua indumentária, os mitos falam de uma faiza de tecidos ou de um cinto no qual emana todo o seu poder de amor e sedução. Uma história diz de um pedido de Hera para que Afrodite lhe cedesse seu cinto, pelo qual encantava poderosamente deuses e homens. Este mito retrata a necessidade de integração de Hera, senhora do casamento sagrado e do Olimpo, do poder sexual de Afrodite para a perpetuação de seu hieros gamos, seu casamento sagrado com Zeus. Percebemos também que a sedução pode advir do vestir-se, mais do que desnudar-se, pois Hera busca meios seguros de seduzir Zeus.
Como toda imagem arquetípica, Afrodite é paradoxal em suas manifestações na consciência. As duas versões de seu nascimento podemos interpretar psicologicamente dentro deste paradoxo.
Sendo filha de Úrano e nascendo da espuma do mar, simboliza o poder súbito das paixões destrutivas que assomam à consciência, levando de roldão qualquer discriminação. A possessão apaixonada por Afrodite ocorre em pessoas com certa dissossiação afetiva, que se tornam presa fácil de suas paixões reprimidas no inconsciente.
O filme Perdas e danos, de Louis Malle, revela esta emergência destrutiva de Afrodite. Um político inglês extremamente bem-sucedido, com uma persona irrepreensível, apaixona-se pela noiva de seu próprio filho. Esta paixão, levada adiante, tem um deslance fatal.
A moça sedutora é uma mulher-Afrodite que não consegue integrar os aspectos criativos deste arquétipo e em vez disto os atua de forma irrefreável. O político é um homem frio, dissociado de seu lado emocional. O terrível triãngulo amoroso leva o filho à morte.
Percebemos no contexto deste drama a relação de Afrodite com a sexualidade e avida, e também com a morte. O Mito Adônis é um paralelo perfeito para o filme. Afrodite amou profundamente o mortal Adônis; tornaram-se amantes. Saindo á caça, Adônis foi morto por um javali ( um símbolo do aspecto sombrio da própria Afrodite). Esta chorou a perda do amante, que desceu ao reino inferior ficando parte do ano com Perséfone, parte com Afrodite. O jovem Adônis ficou perpetuado sob a forma de flores, as anêmonas. É curioso que Afrodite tem como um de seus símbolos a romã, a mesma fruta característica da deusa dos mortos, demonstrando-se assim uma secreta identidade entre a vida, a sexualidade e a morte; oculto no aparente dualismo das pulsões de vida e de morte, um secreto monismo.
Afrodite é, pois, portadora das grandes transformações da personalidade, uma deusa alquímica, como a chamou J.S. Bolen (1991). O processo de individuação proposto por Jung é vivido como um constante lidar com estes opostos antagônicos. Heráclito, o mais enigmático dos pensadores originários, já percebera o aspecto paradoxal deste processo, formulando a idéia de que Dioniso e Hades são um só.
Fonte: “A Mitopoese da psique – Mito e individuação”. Boechat, Walter. Editora vozes, 2008.

Quebra de tabu

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Você é um pensador livre? Você é um visionário?

Este blog está 100% aberto para todos que tiverem a mente aberta, para debates envolvendo Teosofia, Religião, Mulher e suas infindáveis ramificações; pois são assuntos maravilhosamente intrigantes, instigantes, atuais e que foram varridos para debaixo do tapete até algum tempo atrás.

Acredito que, somente questionando o mundo estático ao nosso redor, podemos crescer e amadurecer como seres humanos espirituais e pensantes, encontrando, assim, nosso próprio Caminho e nossa própria Verdade.

Essa é a proposta do blog… debates para pensadores livres, pensadores que não tem medo de questionar o status quo, de quebrar o tabu. Então, sintam-se LIVRES para argüir meus textos, perguntarem, comentarem e fazerem referências.

Abraços, Flávia

A mulher e uma simples reflexão

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Sensualidade feminina

O assunto deste texto é uma reflexão sobre a fantástica figura que é a Mulher e sua necessidade de encontrar o seu “Eu”, tanto nos dias de hoje quanto ao longo da história.

Minha página não tinha circulação grande de visitas, pois meus textos eram muito pessoais no começo e não atraíam as pessoas. Acredito que indagações pessoais de uma jovem como eu não sejam tão interessantes quanto Mitologia e Simbologia. Meus textos não deixaram de ser pessoais, mas o número de pessoas que entram no meu blog hoje, aumentou sete vezes e isso me levou a uma longa reflexão…

Meu último texto, bem pessoal por sinal, foi sobre minha paixão pela bando de rock norte-americana Metallica, dizendo que tem muito da filosofia existencialista nas letras das músicas deles. Depois disso, eu reparei que diante do que eu queria escrever no blog – escrever sobre religião, filosofia, e afins -, eu não tinha escrito quase nada. Então, resolvi começar por um assunto gostoso, fácil e poético. A Deusa. A Mulher. O Feminino.

Depois de uns 15 textos, a circulação aumentou bastante. Daí, obviamente surgiu a reflexão.

Eu minha relexão, acredito que a mulher quer redescobrir o seu papel da História, ela quer retirar o rótulo, que lhe foi imposto, de “esposa” e “dona-de-casa”, nivelando-se com o homem. Acredito que a Mulher queira buscar a si mesma como um Todo. Acredito que ela queira encontrar a sua alma no espelho, o seu outro “Eu”; não o seu companheiro masculino (ou feminino), mas o seu arquétipo de Deusa, o seu próprio reflexo (sem a necessidade de doutrina, regra, sociedade, credo, homem), o inconsciente feminino que esteve calado durante séculos por causa da repressão judaico-cristã.

Eu vejo na Mulher um conjunto de qualidades e características que raramente se encontra no homem. Eu não digo isso por ser mulher, mas por observação. Há homens de caráter tão íntegro, generoso, bondoso, amável, digno, honrado, sábio quanto se é possível imaginar, como o meu pai; mas esses são raros, muito raros.

Eu tenho o privilégio de ter três homens magníficos na minha vida: meu pai, que é um homem íntegro, generoso, bondoso, extremamente carinhoso, muito digno e honrado, e muito sábio; meu avô Alberto Dias, um grande filósofo e muito sábio, um grande iniciado, íntegro, carinhoso; meu namorado e homem da minha vida Timóteo; homem que eu amo muito mais do que meu coração é capaz, puro, inteligente, batalhador, honesto.

Eu tenho a honra de ter o exemplo de três grandes pequenas Mulheres: minha mãe, que eu aguento (e que me aguenta), uma grande aquarelista e pachtwork, uma mulher sensível e atrapalhada, uma mulher que ama intensamente de maneira somente sua, cuida das pessoas (à sua maneira) e não permite que ninguém faça mal às pessoas que ama; minha avó Talita Dias, uma mulher de fibra, a personificação do carinho e ternura, a vovó dos comerciais de televisão, a mulher mais pura que eu conheço; Marília minha irmã, ora eu odeio, ora eu amo, uma mulher justa, que ama intensamente e entra de cabeça, impulsiva, que não tem medo de se arrepender, uma mulher que eu admiro muito.

Nada mais pode calar a voz feminina. A Mulher de hoje é mais forte e grande do que qualquer jamais foi. Sua busca pelo conhecimento do seu “Eu”, de sua Deusa, de sua própria história… de seu próprio papel na história, demonstra sua voracidade e coragem para combater a repressão à que esteve sujeita durante milênios.

A poesia feminina está de volta. A coragem da Mulher está aí… e ela, pelo visto, está sedenta por conhecimento. A Mulher está buscando a si mesma!! E eu pude perceber isso…

Não há nada mais poético do que a mulher. O próprio corpo da mulher já é pura poesia… cada curva, seus cabelos, seus olhos. Quantos vezes essa personagem não foi inspiração para os mais belos tipos de obras de artes? A Mulher é uma obra de arte em si.

A Mulher quer falar, e ela está falando… Ela está buscando sua alma, o seu reflexo no espelho.

Flávia